segunda-feira, 31 de março de 2008

Historinha de menina

Um feto, uma menina, já no ventre de sua mãe, sente a rejeição da mãe, pelo fato da filha não ser homem. E mesmo depois de nascida foi sempre a preterida da mãe.
Ouve o pai ameaçar a mãe de esfaquear sua barriga pra retirar o bebê e matar a mãe.Vive a ansiedade, durante meses, da incerteza de viver ou morrer com a mãe.
Nasce, e aos 10 meses se vê fugindo com a mãe e o irmão de um pai policial violento e sempre armado pra matá-los...
A menina, que nunca conheceu o pai e sua família paterna, agora, é rejeitada pela família materna, por ciúmes dos tios solteirões que a criam. Família hipócrita e interesseira. Não viram que era só uma menina carente de quase tudo?
E o irmão, que durante anos, foi alvo de admiração por ela, passa a também ter uma raiva estranha por ela. Talvez os mesmo ciúmes dos primos. O irmão, que antes era tão amado, diante de tantas palavras doídas na direção dela, aos poucos e com os anos, já nem é lembrado mais. Hoje, há uma distância do tamanho do infinito. Ele a acha mentirosa, não acredita em nada do que ela fala, não a conhece e nem se deixa conhecê-la. Moram na mesma cidade e parece morarem em planetas diferentes. Antes ela sofria tanto de saudade do irmão! Agora, ela não sofre mais com isso.
A menina cresceu e teve filhos, mesmo sem ainda ter sido menina. Mas, ela não pode, por causa de suas carências, errar com os filhos, pra que não tenham também carências.
Existe uma peça em Bh que se chama "parente não é gente". Mas, tudo que essa menina queria é ter tido uma família. Hoje, ela olha pras famílias grandes e fica babando.
Mas existe uma passagem bíblica, em Isaías, que diz: " ainda que uma mãe se esqueça do filho de seu ventre, eu , o Senhor Deus, jamais te esquecerei" " e eu trago seu nome escrito na palma de minha mão"...
É triste não ter recebido amor e aceitação da família. Ter uma família totalmente desestruturada. Mas, essa menina, após anos e anos implorando pra Deus levá-la daqui, passou a perceber que Deus estava falando com ela. Que Deus é a sua família e sempre velou por ela. Hoje, além de Deus, sua família mal cabe na palma de sua mão, mas ela é feliz assim mesmo, e até se envergonha, quando lamenta, pois há uma imensidão de meninos e meninas grandes e pequenas por aí que não têm nem um membro familiar sequer, e, ás vezes, nem conhecem à Deus.
Mas, a menina ainda é menina, apesar dos seus 33 anos.